O projeto político de poder das igrejas evangélicas

 

De volta a Idade das Trevas
De volta a Idade das Trevas

Algumas organizações religiosas, em especial as evangélicas estão a algumas décadas pondo em prática um plano de poder político. Essas organizações financeiro-religiosas tornam seus fiéis um grande e espúrio curral eleitoral. É sabido que vários pastores levam aos seus cultos o candidato “da igreja” no palanque de seus templos. Dizem que é o homem certo, escolhido por “Deus” através da igreja.

Isso não é novidade. Pelo contrário, é um grande retrocesso histórico que remonta uma monarquia feudal doentia. É um projeto político de poder. Para mexer fundamentalmente em nossa legislação ao bel prazer de homens nada honrados e de planos obscuros. Aí entra a atuação da chamada “bancada evangelica” nas esferas legislativas.

O que mais me revolta é a lavagem cerebral desonesta que estes malditos líderes fazem por meio da fé. A Luz da humanidade, a Esperença. Não há pecado maior.

A história ensina os sofrimentos advindos da união entre Estado e Religião (pelo menos na idade das trevas, o mundo antigo foi diferente). Vide os milhões de mortos na fogueira pela “santa” inquisição, apoiada pela monarquia européia. Ou as abominaveis cruzadas saqueadores de riquezas de todas as espécies, materiais ou não. A ocultação do conhecimento para o povo. A dominação, seja pela ambição ou pelo medo. Ir para o Paraíso (por um preço é claro) = Dominação pela ambição. Ir para o Inferno = Dominação pelo Medo (esse é de graça).

Politica e religião são tidas como uma única coisa para esses grupos.

Teocracia Medieval é seu objetivo.

Tome mais cuidado com seu voto, e muito mais com seu dinheiro quando se trata de uma igreja.

Anúncios

7 comentários sobre “O projeto político de poder das igrejas evangélicas

  1. é eu acho antiético usar a crença para conseguir uma posição politica(fora da igreja), mas o que é pior e que a igreja tem beneficios que são concedidos pelo proprio governo, que estimula a criação de novas igrejas, ou seja, mistura-se “espiritual”, politico e financeiro em apenas um local ou uma pessoa dependendo do caso. Fica facil saber como “estimular” as pessoas a tomar as decisões estipuladas pela a igreja.

    São tantos nomes diferentes de igrejas, que eu acredito que em algum momento elas vão entrar em conflito nesses interesses espirituais, financeiros e politicos.

  2. Acima de tudo, os assim chamados fiéis se transformaram no que o marketing chama de nicho de mercado. Logo, como em todo nicho há concorrência. Vence quem tem melhor estratégia, adaptabilidade, qualidade de serviço e propaganda. Igrejas com ar condicionado são mais bem sucedidas do as que tem ventiladores. Seria engraçado se não fosse trágico.

  3. Ou como é a relação entre Igreja e Mercado. Qual é o bem maior de uma Igreja Cristã?

    Os membros, a comunidade, o pavilhão, a igreja? Não. O bem maior da igreja é Jesus Cristo. Por que? Porque ele é a base da Igreja. Porque a Igreja está construída sobre Jesus Cristo, ele é a pedra angular (Ef 2.20), sem ele esta construção ‘Igreja’ desmorona. Por Jesus Cristo ser a base da Igreja esta tem a tarefa de evidenciar isto com a pregação pura e reta de seu Evangelho. Evangelho de quem? Evangelho de Jesus Cristo. Qual a mensagem central do Evangelho de Jesus Cristo? A mensagem central do Evangelho de Jesus Cristo é o Reino de Deus, como ele mesmo diz em Lc 4.43: “Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado” (Lc 16.16; 8.1). Jesus aqui é muito claro em dizer: Eu fui enviado para anunciar o Evangelho do Reino de Deus, esta é a minha tarefa. Assim, a tarefa da igreja, por sua vez, é pregar, como seu conteúdo central, o Evangelho do Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo. Assim, gerir uma igreja é garantir que a pregação do Evangelho do Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo seja feita pura e retamente. Esta pregação se dá na forma da fala e da vivência prática da luta pelo Reino de Deus, pois fé e vida não se separam (Tg 2.17), como diz Lutero: “é impossível separar da fé as obras; é tão impossível como separar do fogo a chama e a luz” e “Dediquemo-nos primeiramente ao fazer, e depois, ao falar. Uma pessoa crente, antes de mais nada, vai e realiza algo”.

    Antes de mais nada, temos que compreender o que é a pregação pura e reta do Evangelho de Jesus Cristo e o que é lutar em favor do Reino de Deus.

    Pregação pura e reta do Evangelho de Jesus Cristo é não se deixar influenciar e nem se deixar moldar pela ideologia do mundo, que é a ideologia capitalista, que tem a função de garantir a reprodução do sistema capitalista opressor. O que diz a ideologia capitalista? Ela diz que o Mercado determina tudo na vida das pessoas e conseqüentemente também determina a vida da e na Igreja. O Mercado é todo poderoso, onipresente e onipotente, sabe tudo e faz tudo acontecer e castiga quem não se move segundo a sua dinâmica. A declaração do presidente da Semp Toshiba deixa isto claro: “Nós somos súditos do mercado. O mercado não quer saber se nós somos inteligentes, se somos competentes, se nós fomos competentes, se nós seremos competentes. O mercado é diferente. Nós estamos sujeitos às regras do mercado. E quando não nos sujeitamos às regras do mercado, geralmente nos damos mal. Tanto os funcionários quanto as empresas”.

    O castigo é a falência, para o patrão, ou o desemprego, para o peão. Sem o Mercado não podemos mais viver. O Mercado diz o que devemos pensar, como devemos pensar, o que devemos fazer, como devemos organizar a nossa vida, a vida na e da igreja e a vida de toda a sociedade, como devemos crer em Deus, como devemos ler e interpretar a Bíblia e como devemos viver a nossa fé em Jesus Cristo (para que não ameace o Mercado). Desta forma o Mercado está acima de Jesus Cristo, pois ele diz o que a Igreja de Jesus Cristo tem que fazer, pois a Igreja é a presença de Jesus Cristo no mundo e por si só é uma ameaça ao Mercado. O Mercado virou deus porque nós o elegemos como nosso deus. O elegemos como nosso deus na medida em que deixamos o Mercado dizer o que devemos fazer e não fazer, o que devemos pensar e não pensar. Por isso a Igreja tem que se organizar segundo os ditames do Mercado porque ele virou o deus da Igreja, é o que diz a prática da Igreja, não a teoria. A prática é a verdade última.

    Por que Jesus Cristo tem que estar subordinado ao Mercado? Porque o Mercado é o deus deste mundo e ele não admite que Jesus Cristo seja Deus e lhe faça concorrência. Jesus Cristo não quer apenas fazer concorrência ao Mercado, mas quer extingui-lo. O Mercado até admite outros deuses ao lado dele, como a trindade: o dinheiro, a mercadoria e o capital. O Mercado até admite que Jesus Cristo seja Deus na medida em que Jesus Cristo se subordine aos caprichos e determinações do Mercado. Como Jesus Cristo se subordina ao Mercado? Ele se subordina ao Mercado na medida em que a Igreja se subordina ao Mercado, pois ela é a presença de Jesus Cristo no mundo. Na medida em que a Igreja não deixa claro qual o Projeto de Jesus Cristo (o Reino de Deus que quer extinguir o Mercado) e que conseqüências este Projeto traz consigo ela se subordina ao Mercado. Na medida em que a Igreja não enfrenta o projeto do Mercado em contraposição ao Reino de Deus ela se subordina ao Mercado. É isso que a Igreja tem feito normalmente, não enfrentar o projeto do Mercado, pior, ela tem justificado e legitimado o projeto do Mercado.

    Por que o Mercado não admite que Jesus Cristo seja Deus? Porque Jesus Cristo veio para construir o Reino de Deus que é um projeto concorrente ao Projeto do Mercado. O Reino de Deus é o projeto oposto ao projeto do reino do mundo. O Projeto do Mercado está construído em cima de uma sociedade composta por classes sociais antagônicas em permanente luta de classes e que, além disso, controla o aparato do Estado em seu próprio benefício para se perpetuar. O Projeto do Reino de Deus, por sua vez, é uma sociedade de irmãos e irmãs, igualitária (Gl 3.28), sem classes sociais antagônicas, onde não existe mais a luta de classes e a opressão de classe. Isto é uma subversão intolerável para o Mercado, pois ele vive da opressão de classe.

    Para viabilizar o seu Projeto o Mercado age de duas formas: ele luta contra o Evangelho do Reino de Deus, portanto contra a Igreja, E AO MESMO TEMPO PROCURA COOPTAR ESTE EVANGELHO DO REINO DE DEUS, CONSEQUENTEMENTE, A IGREJA.

    Como o Mercado faz isto? Primeiro, ele procura nos convencer de que não há outro Projeto além do Projeto do Mercado. Segundo, ele nos força a entrar na sua dinâmica, pois ele perpassa todas as relações de nossa vida; também as relações na e da vida eclesial. Em tudo o que fazemos o Mercado está presente, até nos valores que a fé cristã propaga. Hoje na Igreja já se fala em mercado religioso. Muitos templos, principalmente das igrejas neo-pentecostais, já tem o seu visual parecido a uma loja de roupas e usa como propaganda a foto do dono da igreja e não algum símbolo da fé cristã, como a cruz, por exemplo.

    O pão que comemos no café da manhã passou pelas relações de mercado, pois o trigo foi produzido segundo as dinâmicas do Mercado em que o agricultor para plantá-lo precisou fazer um financiamento bancário que lhe possibilitou comprar as máquinas para plantar e colher o trigo e comprar os insumos químicos, sementes e venenos para aplicar no trigo. Também a última aplicação de secante para deixar o trigo parelho para poder colhê-lo melhor foi determinada pelo Mercado, pois o agricultor não plantou o trigo para comer, mas para vender no Mercado. Se este trigo está envenenado não interessa, interessa que ele tenha mais lucro com a venda dele, pois o Mercado não tem ética. A única coisa que lhe interessa é o lucro. Como este lucro surgiu também não interessa desde que ele exista e aumente gradativamente.

    Também esta forma de pensar: passar veneno no trigo ou feijão antes da colheita para secar de forma parelha para poder ser colhido de forma mais fácil é determinada pelo Mercado. Vender comida envenenada não é problema para o Mercado e a maioria dos cristãos defende essa dinâmica, pois eles já assimilaram a dinâmica do Mercado como a única viável e possível, negando com isso o seu batismo. Por que negam seu batismo? Porque no batismo somos marcados por tudo que fazemos pelo Projeto de Jesus Cristo que é o Reino de Deus e com isto não estamos subjugados e subordinados ao reino do Mercado. Vendendo comida envenenada estamos reproduzindo a dinâmica do Mercado e com isso negando nossa fé em Jesus Cristo e com isto negando o nosso batismo. Os agricultores assimilaram a dinâmica do Mercado de tal forma que dizem: Sem aplicar veneno nas plantas e insetos não se colhe mais nada. Com isto estão dizendo que não existe nada além do modelo de produção capitalista e com isto estão negando o Evangelho do Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo que diz que há outro projeto além do capitalismo, o Reino de Deus, que já está no meio de nós (Lc 17.21).

    A roupa que vestimos em nossos filhos e filhas para irem à escola é determinada pelo Mercado. A escola que escolhemos para nossos filhos e filhas é determinada pelo Mercado, pois eles precisam ser adestrados para a competitividade, para a concorrência, para a competência, para a eficiência e para a alta produtividade, pois sem isto eles serão trucidados pelo Mercado. Assim a forma como educamos nossos filhos em casa e na escola é determinada pelo Mercado. Até a produtividade e a competência na Igreja quer se medir, pois isto é uma exigência do Mercado. Na verdade somos muito produtivos e competentes, pois reproduzimos muito bem na Igreja a teologia do Mercado, não o ameaçando com a prática da construção do Reino de Deus.

    Desta forma o pensamento do Mercado estará presente na condução da comunidade para que a forma de pensar do Mercado seja preservada também dentro da Igreja. Não só preservada, mas dinamizada pela pregação do Evangelho do Mercado como sendo o Evangelho de Jesus Cristo. Qualquer proposta que surge na Igreja que ameace a dinâmica do Mercado é sabotada e se alguém insistir nela ele será isolado, reprimido ou afastado de sua função, se isto for possível.

    Mas como o Evangelho de Jesus Cristo que é o oposto do Evangelho do Mercado pode reproduzir e dinamizar o Mercado? Este é o milagre da dinâmica do Mercado. Como? No Mercado capitalista todas as coisas deixam de ser o que são. Assim a Igreja também deixa de ser o que é. Deixa de ser Igreja de Jesus Cristo para ser a Igreja do Mercado com nome de Igreja de Jesus Cristo. No capitalismo as coisas não são o que parecem ser. Quando olhamos para uma mercadoria não percebemos que ela esconde um trabalho social e esconde a exploração que aconteceu durante o processo de sua produção pelo não pagamento de parte do processo produtivo feito pelo trabalhador que gerou o lucro. Uma mercadoria não é apenas uma mercadoria, mas é um bem precioso, fruto de nosso desejo de consumo. A mercadoria é o ápice de nossos sonhos e por isso está acima de nós e das outras pessoas. Um carro não é apenas uma mercadoria produzida pelas pessoas, mas é o ser de nosso desejo. Se alguém ameaça a integridade de meu carro (amassando ele num acidente) ele está ameaçando tudo o que me é de mais valioso, pois é a extensão de mim mesmo por ser o objeto de meu desejo. Quando Novo Xingu (R$) virou município a prefeitura comprou um carro novo para levar os doentes para o hospital em Passo Fundo. Na volta de uma destas viagens com doentes o carro capotou e a notícia chegou à vila e uma senhora ficou sabendo disso e perguntou: “Como ficou o carro novo? Estragou muito?” Não perguntou primeiro o que aconteceu com as pessoas que estavam no carro, mas perguntou primeiro pela integridade do carro novo. No capitalismo as pessoas viram mercadorias, porque são vendidas no mercado de trabalho por um preço, o salário, que esconde o processo de exploração que a pessoa sofre, e as mercadorias viram gente porque valem mais que as pessoas e determinam a vida das pessoas. Gente vira mercadoria e a mercadoria vira gente. A gente que produz a mercadoria adora a sua própria produção como deus e se deixa gerenciar pela dinâmica de sua própria produção. A mercadoria começa a ter vida própria e determina a vida de quem a produziu. Assim também o Evangelho de Jesus Cristo vira o Evangelho do Mercado na medida em que não se opõe ao Mercado e sua dinâmica diabólica de inverter os fatos e os valores.

    São as pessoas das comunidades cristãs, que tem a tarefa de viver e pregar o Evangelho de Jesus Cristo em contraposição ao evangelho do mundo. São as pessoas das comunidades cristãs que deveriam garantir que este Evangelho de Jesus Cristo não legitime e se adapte ao Evangelho do Mercado. Como de fato as coisas são na Igreja? Qualquer pregação a partir do Evangelho de Jesus Cristo que ameace o Mercado e sua dinâmica será reprimida e seu pregador castigado com uma reprimenda e, se continuar, apesar da reprimenda, a não se conformar com as exigências da Teologia do Mercado este pregador será expulso da comunidade. Por que? Porque a base da sociedade é o Mercado e não Jesus Cristo. O Mercado é a base sobre a qual toda a sociedade está construída, então o Evangelho de Jesus Cristo terá de se adaptar e a se sujeitar a este Mercado. A repressão cai implacável sobre qualquer um que desafiar o Projeto do Mercado em nome de Jesus Cristo quando ousar pregar pura e retamente o Evangelho do Reino de Deus, que se contrapõe ao Mercado em sua essência. O Evangelho do Reino de Deus é revolucionário e insurgente em sua essência porque quer construir o Reino de Deus e para isso terá que destruir o reino do mundo, o Mercado.

    O Evangelho do Reino de Deus diz que a base da Igreja é Jesus Cristo e não o Mercado. O Evangelho do Reino de Deus diz que Jesus Cristo é Deus e o Mercado não é deus e nem é a base da Igreja. Como o Mercado resolve esta questão? O Mercado resolve esta questão ensinando uma teologia dita ‘neutra’ que não ameaça o Mercado pela formação que a própria Igreja ministra para seus obreiros e obreiras e estes ministram esta teologia ao povo. O povo, por sua vez, gosta desta teologia ‘neutra’ (que de neutra não tem nada) porque vai de encontro com o seu jeito de pensar, sua ideologia, que na verdade não é sua, mas do Mercado, só que o povo não sabe disso. O povo não sabe que os seus pensamentos não são seus pensamentos, mas são pensamentos do Mercado, pois desde pequeno aprendeu a pensar como pensa o Mercado como sendo a única forma de pensar e de agir. O Mercado diz que não há nada além do Mercado, tudo lhe está sujeito, também a Igreja. Paulo não concorda com isto quando diz em 1 Co 15.24-28: “E, então, virá o fim, quando ele entregar o reino ao Deus e Pai, quando houver destruído todo principado, bem como toda potestade e poder. Porque convém que ele reine até que haja posto todos os inimigos debaixo dos pés. O último inimigo a ser destruído é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo dos pés. E, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, certamente, exclui aquele que tudo lhe subordinou. Quando, porém, todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então, o próprio Filho também se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”. Este é o Evangelho subversivo que se contrapõe ao Mercado.

    Assim, quando alguém começa a pregar o Evangelho de Jesus Cristo, sobre a sua mensagem central que é o Reino de Deus, as pessoas estranham, pois esta mensagem não fecha com o que aprenderam durante toda a sua vida, que foi determinada pelo Mercado. Quando a mensagem do Reino de Deus diz que ele é o oposto do Mercado e de que há outra forma de organizar a vida, a economia, a política, a cultura e toda a sociedade além da proposta do Mercado as pessoas reagem ferozmente contra esta mensagem do Reino de Deus porque ela não fecha com a mensagem do Mercado que aprenderam desde pequenos. As pessoas se escandalizam com a mensagem do Reino de Deus como proposta contra a dinâmica do Mercado porque isto exige mudança, o que a Bíblia chama de arrependimento e fé no Evangelho de Jesus Cristo (Mc 1.15) e não a fé na ideologia do Mercado.

    Como agora alguém começa a pregar que há outra forma de organizar a vida e a sociedade toda além do Mercado se a Igreja nunca falou disto de forma clara? Onde esteve, então, a tal pregação pura e reta do Evangelho de Jesus Cristo, que a Igreja diz realizar, se ele nunca foi pregado como oposição à dinâmica do Mercado? O Evangelho de Jesus Cristo sempre foi pregado como um dinamizador do Mercado, como agora vem alguém e diz que o Evangelho de Jesus Cristo não é dinamizador do Mercado? Mas, o Evangelho de Jesus Cristo foi pregado como dinamizador do Mercado? Foi e continua sendo, desde os tempos da Conquista. Foi o Evangelho de Jesus Cristo que legitimou a empresa capitalista privada instalada pelo capital europeu aqui no Brasil que foi viabilizada pela mão de obra escrava indígena e africana, mesmo que o Evangelho diz que Deus tenha lutado contra a exploração da escravidão no Egito. Foi o Evangelho de Jesus Cristo que legitimou o Império e depois a República sob a dinâmica do Mercado fechando os olhos para o massacre dos camponeses e operários sindicalizados que lutavam por mais vida, mais justiça e mais amor entre as pessoas, no intuito de construir uma sociedade de irmãos e irmãs como fala o Evangelho do Reino de Deus, que é a mensagem central de Jesus Cristo.

    Mas, como o Evangelho de Jesus Cristo pode legitimar uma proposta oposta à dele? Na verdade não foi o Evangelho de Jesus Cristo que legitimou a dinâmica do Mercado, mas as pessoas que o interpretavam, porque elas queriam ficar ricas com o trabalho de outrem. Como nenhum ladrão gosta de ser chamado de ladrão (porque todo capitalista é um ladrão, pois rouba o trabalhador pelo não pagamento de parte do trabalho feito pelo trabalhador no processo da produção da mercadoria, que gera o lucro, o capital. A origem do capital está no roubo.) ele faz com que as pessoas não vejam nele um ladrão, mas uma pessoa de sucesso, pois, segundo seu dizer: Deus abençoa com riquezas quem tem fé em Jesus Cristo e fica rico quem trabalha. Isto quer dizer (o que nunca é dito): quem é pobre é porque é vagabundo e é amaldiçoado por Deus. Pobre não é abençoado por Deus porque está longe de Deus, não tem fé e é pagão. Significa que quem é rico é porque tem fé e por isso é abençoado por Deus com riquezas, no entanto, nunca se explica direito como surgem estas riquezas que Deus lhe concedeu. Caem do céu? Não, são geradas pela exploração da classe trabalhadora no processo de produção da mercadoria pelo não pagamento de parte do trabalho realizado. Isto quer dizer que as riquezas provêm do roubo? Se provierem do roubo não são bênçãos de Deus. Mas, sempre se disse que as riquezas são bênçãos de Deus! É aí que entra o Mercado para legitimar a sua própria dinâmica. O Mercado ensinou teologia para os pregadores da Igreja para que a teologia de Jesus Cristo se adapte à teologia do Mercado. Não foram os doutores de teologia da Igreja que ensinaram teologia para os pregadores? Sim, mas a sua visão de Deus é a visão que o Mercado lhes impôs. Significa que a ideologia dominante é também dominante na teologia e desta forma a Igreja se adapta ao Mercado para legitimá-lo.

    Mas, se a teologia, lá pelas tantas, começa a se libertar do Mercado, como aconteceu com a Teologia da Libertação? O que acontece? Aí a Igreja, como foi o caso da IECLB em 1997, se reestrutura para garantir o poder àqueles que são determinados pela teologia do Mercado e não pela teologia da mensagem central de Jesus Cristo, o Reino de Deus, que propõe acabar com o Mercado num processo coletivo de construção sob a orientação e condução de Deus de uma nova sociedade não determinada pelo Mercado. Como este processo de cooptação não é percebido porque todos nós estamos sendo determinados pela ideologia do Mercado então achamos este processo como normal. O Mercado nos ensinou a não ver as cosias como elas são, mas apenas como o Mercado quer que vejamos as coisas. O Mercado não quer que vejamos a sociedade dividida em classes sociais antagônicas e em permanente luta onde o Estado é controlado conforme os interesses da classe economicamente dominante, mas como sendo a sociedade ideal e da vontade de Deus. O Mercado consegue ocultar que existe a luta de classes na sociedade e que esta mesma luta de classe também se dá na Igreja. É assim, sempre foi assim e sempre será assim, nos diz o Mercado. Atrasado, obsoleto, antiquado e troglodita é quem contesta esta teoria do Mercado. Na verdade, o Mercado nem nos permite que vejamos a sociedade assim como ela é de fato, dividida em classes sociais antagônicas em permanente luta, (porque fomos ensinados a não ver as coisas como elas são de fato) e por isso aceitamos esta sociedade classista como ela é como sendo da vontade de Deus. Também não conseguimos enxergar quando o Mercado produz uma reestruturação na Igreja, como a de 1997, para que ela se adapte melhor às exigências do Mercado e seja controlada pela ideologia/teologia do Mercado pela maioria dos integrantes da igreja.

    Por isso qualquer iniciativa na Igreja, que é controlada pela paróquia ou por um dono (alguns se denominam profetas), que por sua vez é controlada pelos capitalistas, mesmo não sendo capitalistas, mas trabalhadores, mas que se guiam pela ideologia da classe capitalista como a única possível, que apóie uma organização e luta contra o Mercado é reprimida pela expulsão ou transferência do/a pregador/a da paróquia ou pela ameaça de isto acontecer, via TAM e Avaliação, se ele insistir em dizer que o Evangelho do Reino de Deus propõe a construção coletiva de uma nova sociedade não classista e não capitalista, que é o oposto do Mercado. Tal Igreja, que se diz de Jesus Cristo, mas que na sua prática paroquial não o é, tem que morrer. Na verdade, não tem que morrer, pois já está morta. Já está morta porque deixou que o Evangelho do Reino de Deus fosse cooptado pelo evangelho do Mercado e desta forma se tenta impedir a construção do Reino de Deus que é o Projeto da Igreja de Jesus Cristo. Se tenta impedir, pois nada vai impedir a construção do Reino de Deus iniciada por Jesus Cristo porque é o próprio Deus que o está construindo, sendo nós pelo batismo seus convidados especiais a participar deste processo. Passamos, tanto na história mundial como na história da Igreja, por momentos tenebrosos, como os do nazismo e do Golpe Militar de 64, mas estes tempos também passam. Hoje estamos nos tempos tenebrosos neoliberais onde o Mercado procura se apropriar da Igreja de forma semelhante aos tempos da Ditadura e um pouco diferente dos tempos do nazismo. Isto requer sempre de nós que façamos coletivamente uma análise da conjuntura eclesial para podermos clarear para nós mesmos onde estamos e que forças atuam na sociedade e na Igreja que querem ter a hegemonia sobre a sociedade e sobre a Igreja.

    Quando a Igreja de Jesus Cristo (estou falando de todas as denominações cristãs) se torna a Igreja do Mercado ela automaticamente deixa de existir. Continua existindo como fantasma, como casca sem conteúdo de Jesus Cristo. É como o ovo de páscoa do qual se tirou os amendoins com açúcar para comer. O ovo colorido em forma de casca continua existindo, mas não tem mais nada dentro dele. As cores bonitas exteriores aparentam que o ovo existe, mas existe apenas como casca, seu interior está vazio, portanto a casca também não tem valor. A não ser que se ponha novamente dentro dela um novo conteúdo: o Evangelho do Reino de Deus, pregado e vivido por Jesus Cristo, que propõe a partir da esperança da construção coletiva, comandada por Deus, de uma nova sociedade não capitalista, igualitária, de irmãos e de irmãs em Cristo. Mas para isto esta Igreja terá de romper definitiva e radicalmente com o Mercado e sua teologia, desde a comunidade. Isto é tarefa nossa a partir do batismo pelo poder do Espírito Santo. Parece impossível, mas pelo poder do Espírito Santo tudo é possível, já que a Igreja é fruto do Espírito Santo.

    Paulo já falava que ele lutava contra o sistema deste mundo, conforme 1 Co 15.32; 2 Co 11.23-29 (2 Co 11.28 “Além das coisas exteriores, há o que pesa sobre mim diariamente a preocupação com todas as igrejas”.), e pela manutenção da Igreja. Por causa destas lutas que ameaçavam o mundo (hoje o Mercado) Paulo foi perseguido (At 24.5-6) e morto, como também o foram os mais de cem mil outros cristãos que não se sujeitaram ao mundo, na época o sistema econômico escravista que controlava o aparato do Estado para se preservar. O Ap 18 fala deste sonho de aniquilar a dinâmica do Mercado que corrompera os reis e os mercadores da terra, onde se vendia e se comprava de tudo, até almas humanas (Ap 18.13); e avisa: “Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos”, Ap 18.4. Retirai-vos do sistema de opressão (do Mercado) e de sua dinâmica assassina, diz o Apocalipse, para não ser cúmplice dele e ser julgado por isso no Dia do Juízo Final. Como eu, Paulo Henrique Mai, cristão do século XXI, irei me apresentar diante de Deus neste dia? Vamos ser julgados como cúmplices do sistema opressivo do Mercado ou como evangélicos insurgentes a partir da teologia da Cruz de Cristo?

    Esta não é uma visão muito negativista, pessimista e irrealista da Igreja? Não. É uma tentativa de ver a Igreja como ela de fato é: dinamizada pelo Mercado; esquecendo a forma de vê-la como fomos ensinados, pois fomos ensinados a vê-la como ela não é sob o auspício da ideologia/teologia do Mercado.

    Esta é uma leitura mais voltada para as igrejas mais tradicionais, entre elas a Católica e as protestantes como o Luterana (da qual faço parte), Congregacional, algumas Batistas… Se fossemos então trabalhar analisando melhor as pentecostais neo-pentecostais, ai o buraco seria ainda mais em baixo.

    1. Temos vivido nos últimos anos em crises econômicas quase permanentes que são inerentes ao sistema capitalista como a luta de classes e não são uma doença ocasional ou uma desvirtuação do sistema. Temos visto o real papel do Estado que é defender os interesses da classe capitalista. Temos visto o Estado fazer o seu real papel que é garantir a acumulação do capital nas mãos da classe capitalista.

      Temos visto também que os cristãos continuam sendo ingênuos, como sempre, ao menos 97% deles, pois não sabem ler a realidade porque foram ensinados a não ver e nem ler a realidade como ela é. Os cristãos são educados para serem ingênuos porque a direita controla a estrutura da igreja e assim controla a teologia da igreja. Não é a Bíblia que diz como deve ser a nossa teologia e a nossa prática, mas é a direita (os capitalistas) que diz como devemos ler a Bíblia, como deve ser a nossa teologia, a nossa prática de fé e nossa compreensão de Deus. Deus é apenas um mero acaso, um tropeço, um adereço neste processo. Não tão mero assim porque Ele é fundamental para legitimar a opressão capitalista a partir do ponto de vista da direita. Os cristãos não são ingênuos porque o querem ou porque optaram por isso, mas foram educados teologicamente na igreja, na escola e na família para legitimarem o sistema capitalista. O capital determina majoritariamente a compreensão de Deus na igreja e não o Evangelho do Reino de Deus vivido e pregado por Jesus Cristo como consta nas Sagradas Escrituras. A prática dos cristãos comprova a sua ingenuidade, são inocentes úteis ao capital achando que isto é uma expressão de sua fé quando legitimam o capital. Se deixaram enrolar pela Ditadura do Pensamento Único a serviço da Ditadura do Capital que diz que não há outra forma de organizar a vida além do capitalismo, esquecendo que o Evangelho do Reino de Deus diz exatamente o contrário, que há uma outra forma de hoje, como sempre houve, de organizar a vida (economia, política, artes, ideologia, ciência, cultura e a religião – aqui entendida como fé cristã: Evangelho) além do capitalismo que é o Reino de Deus cujo anúncio e vivência Jesus pagou na cruz. A formação na igreja é ingênua (mas não deixa de ser classista porque é feita do ponto de vista da direita que apóia o capitalismo) para favorecer a compreensão de mundo da direita que controla a estrutura das igrejas e assim a sua teologia.

      Quem controla o poder das decisões econômicas-administrativas da igreja controla a teologia.

      O povo empobrecido se orienta pela ideologia da classe dominante e com isso apóia e vive segundo a compreensão de mundo dos capitalistas achando que não há outra opção. Quando os empobrecidos descobrem como a sociedade funciona, como o capitalismo funciona, nada mais os segura em sua luta para construir uma nova sociedade igualitária como propõe o Evangelho do Reino de Deus anunciado pelo Deus que se fez pessoa na classe camponesa palestina e foi crucificado por causa desta opção. Deus, no camponês palestino sem terra empobrecido Jesus de Nazaré, foi castigado pela Religião do Templo com a morte por não ter cumprido o seu papel de legitimar a sociedade vigente e ter traído os interesses da elite israelita aliada ao Império Romano. Deus, segundo os interesses da classe que controla o aparato do Estado, tem a função de legitimar os interesses desta classe e não optar em se tornar alguém da classe oprimida e explorada, no caso a classe camponesa. Esta classe que controla a economia e tem no Estado o seu perpetuador da opressão e tem na religião o seu aparato legitimador da opressão política-econômica-cultural-religiosa não vacila em matar para manter a sua opressão. A cruz de Cristo é um exemplo disto.

      O próprio Deus tornado pessoa na classe camponesa palestina foi crucificado por ensinar (Lc 23.5) o que a classe economicamente dominante não queria que ensinasse e que há, inevitavelmente, a proposta de Deus em construir uma nova sociedade em oposição à atual que Jesus chama de Reino de Deus. Hoje a igreja fala pouco neste Reino de Deus e fala apenas num Cristo desencarnado que propõe uma salvação individual fora do processo coletivo de salvação que a Bíblia apresenta e procura falar pouco no Jesus de Nazaré camponês sem terra sem teto palestino migrante, pois esta postura de Deus é prá lá de subversiva em optar em se inserir na classe oprimida, se tornando um oprimido, e não se deixar usar como instrumento do aparelho ideológico do Estado. Quando Javé opta em ser da classe camponesa oprimida ele automaticamente se opõe aos instrumentos da classe opressora de ontem e de hoje. Esta opção de classe por parte de Javé é uma pedra no sapato da burguesia que controla as igrejas e ao mesmo tempo é usado como sensacionalismo por parte de outros para induzir os fieis ao seu bem querer.

      Falar de Deus de uma forma oposta a que consta na Bíblia, como única e verdadeira, é a arte que a bur-guesia encontrou para forçar a opção de Deus pela classe dominadora, ao menos a partir deste discurso. Assim, hoje Deus fez uma opção pelo capitalismo e pelos ricos, segundo a teologia oficial. Tudo, é claro, não é dito desta forma, mas anda segundo esta forma. Entrega o teu coração a Jesus e serás rico! É a teologia a serviço da ideologia do capital. A teologia virou ideologia de direita e a ideologia virou teologia.

      Conseguir transformar o Deus tornado camponês empobrecido e crucificado por alguém que legitima a sua própria cruz e o processo do empobrecimento opressivo da sociedade e que abençoa este processo com a riqueza individual advinda deste processo é o milagre cotidiano que a ideologia do capital realiza e produz. Este processo ideológico consegue transformar o diabo em deus e anular a cruz de Cristo. Pior, consegue fazer adorar a Deus enquanto adora o diabo, achando e dizendo que está adorando a Deus; se adora Deus na forma do diabo. Ex 32 explica isto e Jz 11.30-31 também.

      Adora-se Deus de uma forma falsa e adora-se um falso deus: o capital, que é o instrumento que o diabo usa para combater o Reino de Deus. Adora e presta culto à Javé enquanto vive segundo a prática e a teologia proposta pelo diabo na medida em que organiza a sua vida segundo os ditames do capital dizendo que esta é a única forma de organizar a vida do povo, ignorando o anúncio central feito por Jesus Cristo (Lc 4.43) que é o Reino de Deus, que sempre aponta para a construção de uma nova sociedade igualitária e não capitalista.

      Por não saberem ler a realidade os cristãos, em sua maioria, também não sabem ler as Escrituras Sagradas, pois procuram nelas um Deus desencarnado que tem que realizar o sonho pessoal de riqueza gananciosa das pessoas. Mas sabemos que somente há uma forma de ficar rico que é explorar os outros e isto decididamente não é abençoado por Deus. Assim, segundo este desejo egoísta, a leitura da Bíblia tem que ser segundo os interesses das pessoas impregnadas pelo capitalismo e Deus tem que se adaptar segundo estes interesses. Deus é servo dos cristãos.

      Obviamente a culpa desta ignorância coletiva recai sobre aquela parte dos cristãos ordenados para o ministério especial e que são conhecidos como sacerdotes (os “curas d’alma”, como o querem os capitalistas: a alma fica com a igreja e o corpo fica com o capitalista para ser explorado), especialmente os da estrutura, pois como diz em Lc 12.48: “àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão”. Lutero fala desta ignorância coletiva provocada pela própria igreja: “Se me fosse possível começar, hoje, a pregar o evangelho, eu o faria de modo bem diferente. Deixaria toda essa grande e rude massa de gente debaixo do regime do papa. Eles não se emendam mesmo, pelo Evangelho, mas só abusam de sua liberdade. Em vez disso pregaria o Evangelho e o consolo especialmente para as consciências temerosas, humilhadas, desesperadas e simples. Por isso o pregador deve conhecer o mundo muito bem e reconhecer que ele é desesperadamente mau, propriedade do diabo, na melhor das hipóteses. Eu é que fui estupidamente ingênuo, não sabendo quando comecei, como eram as coisas, pensando que o mundo seria muito piedoso e, tão logo ouvisse o evangelho, viria correndo para aceitá-lo com alegria. Mas agora descubro, com grande dor, que fui vergonhosamente enganado”. Na hora do Juízo Final os/as sacerdotes/isas ordenados para o ministério especial terão que prestar contas desta ignorância na qual mantêm o povo. Mas, dirão: eu também não sabia que o mundo, o capitalismo, era assim, propriedade do diabo, como diz Lutero.

      Martin Luther fala sobre isto na Tese 21 da Demonstração das Teses Debatidas no Capítulo de Heidelberg: “O teólogo da glória afirma ser bom o que é mau, e mau o que é bom; o teólogo da cruz diz as coisas como elas são. Isto é evidente, pois enquanto ignora Cristo, ele ignora o Deus oculto nos sofrimentos. Por isso, prefere as obras aos sofrimentos, a glória à cruz, o poder à debilidade, a sabedoria à tolice e, de um modo geral, o bem ao mal. Esses são os que o apósto-lo chama de inimigos da cruz de Cristo, certamente porque odeiam a cruz e os sofrimentos, ao passo que amam as obras e a sua glória. Assim, eles chamam o bem da cruz de um mal, e o mal da obra de um bem.

      Preferimos ignorar o Evangelho do Reino de Deus que sempre aponta para a construção de uma nova sociedade não capitalista para, pela igreja, legitimar o capital e desta forma legitimar a ação do diabo, que usa o capitalismo para combater o Reino de Deus. O capitalismo é obra do diabo e quem o apóia e o legitima apóia e adora o diabo como seu deus. Esta é a verdade, gostemos ou não.

      Eu creio que só Deus é eterno, o capitalismo não é eterno; ele nasceu, se desenvolveu e vai morrer como tudo o que é humano. O capitalismo não salva, somente Jesus salva. Então não adianta se agarrar no e ao capitalismo. A Bíblia já fez análises de conjuntura de sua época, como vemos em Lc 2.1-5; Lc 3.1-2; Js 24; Dt 6.21-23; Gn 47.13-26; Ap 18 (o livro do Apocalipse é em si uma grande análise de conjuntura como um todo, pois mostra como Deus agiu no passado, como ele age no presente e como agirá no futuro), nós apenas temos que aprender a fazer isto também.

      1. Esta realidade os cristãos foram ensinados a não ver porque isto não faz parte da compreensão teológica da burguesia que controla as igrejas na qual foram ensinados. Por não verem esta realidade eles não conseguem reconhecer o próprio Jesus Cristo nas lutas por justiça da classe trabalhadora oprimida, como diz em Mt 25.44-45 “E eles lhe perguntarão: Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, forasteiro, nu, enfermo ou preso e não te assistimos? Então, lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixastes de fazer a um destes mais pequeninos, a mim o deixastes de fazer”. O Jesus empobrecido (2 Co 8.9; Fp 2.7-8) e não abençoado com riquezas (Mt 19.23-24), portanto, é um fracassado (e para a teologia da prosperidade ser pobre e economicamente fracassado é sinal de que Deus não está com ele; ser pobre é ser pagão) é uma aberração para a teologia do deus capital encarnado no diabo. Daria para dizer: E o diabo se fez capital e habitou no meio de nós cheio de sua própria glória e presunção. E o diabo se autoproclamou deus materializado na dinâmica do capital e foi adorado pelos cristãos como sendo o Deus encarnado numa família camponesa da Palestina. Vendo esta confusão o diabo se rola de tanto rir de nossa estupidez, ignorância e, principalmente, de nosso medo de enfrentar a burguesia que controla as igrejas para perpetuar esta idolatria.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s